Da Redação. Por: Elaine Lina.

População ocupada chega a 103 milhões de pessoas no trimestre encerrado em junho; rendimento médio recua 1,5% ante o trimestre anterior, mas mantém alta de 2,8% na comparação anual

O mercado de trabalho brasileiro registrou mais um marco positivo. A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,4% no trimestre móvel encerrado em junho de 2026, segundo dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) divulgados nesta quinta-feira (30) pelo IBGE. O resultado é o menor para o período em toda a série histórica da pesquisa, iniciada em 2012.

O índice representa queda ante os 6,1% registrados no trimestre de janeiro a março deste ano. Na comparação com o mesmo período do ano passado (trimestre encerrado em junho de 2025, quando a taxa era de 5,8%), o recuo foi de 0,4 ponto percentual.

A população desocupada somou 5,9 milhões de pessoas, uma redução de 10,9% frente ao trimestre anterior (janeiro a março de 2026). Em relação ao mesmo trimestre de 2025, cerca de 718 mil pessoas deixaram a condição de desocupação, o que representa uma queda de 6,3%.

Ocupação bate recorde e avança para 103 milhões

Do outro lado da estatística, o número de pessoas ocupadas atingiu 103 milhões no período, alta de 1,1% na comparação trimestral e de 0,7% sobre o mesmo trimestre do ano anterior.

O avanço foi puxado principalmente pelo aumento no contingente de empregados do setor privado sem carteira de trabalho assinada. No entanto, os trabalhadores com carteira assinada também registraram crescimento de 0,6% no período entre abril e junho, enquanto aqueles que já possuíam carteira aumentaram 2,2% na comparação trimestral.

O nível de ocupação — que mede a proporção de pessoas em idade ativa que estão trabalhando — foi estimado em 58,8% no trimestre, um incremento de 0,5 ponto percentual na comparação com os meses de janeiro a março deste ano.

Rendimento recua no trimestre, mas mantém alta anual

Apesar do aquecimento no mercado de trabalho, o rendimento real habitual dos trabalhadores registrou queda na margem. No trimestre encerrado em junho, o rendimento médio foi de R$3.738, recuo de 1,5% ante o trimestre encerrado em março, quando havia atingido R$3.795.

Na base de comparação anual, no entanto, o rendimento apresenta trajetória positiva: alta de 2,8% frente ao mesmo trimestre de 2025, quando era de R$3.636.

Leitura dos economistas

O resultado consolida uma trajetória de aquecimento gradual do mercado de trabalho brasileiro, ainda que com sinais mistos na comparação trimestral da renda. A taxa de 5,4% é numericamente baixa para os padrões históricos do país e reflete o crescimento consistente da ocupação, especialmente no setor privado. Por outro lado, a informalidade segue puxando parte relevante das contratações, o que impõe desafios para a qualidade dos postos de trabalho e para a sustentabilidade da renda média dos trabalhadores ao longo do tempo.

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