Caras leitoras e leitores!
Não será a primeira vez que eu repito aqui um velho bordão de consultoria: “não existe marketing que resolva o problema de um mau produto”! A nossa classe política passa ao longe de compreender esta e outras lógicas, principalmente em tempos nervosos de campanha eleitoral. Seguem as mídias sociais recheadas de sorrisos e filmecos de incríveis realizações de governos, como se não fosse obrigação do executivo realizar a boa gestão dos recursos públicos!
É claro que a verdade dói, e nem sempre tudo se explica nas ações de governo – assim vai a classe política recriando a realidade ao seu interesse, manipulando a comunicação digital para vender uma narrativa que não corresponde à realidade (George Orwell ficaria orgulhoso!!). Mas… esta construção não se sustenta no tempo, principalmente na política local.
Na prática, percebemos arranjos políticos de ocasião, com objetivos de curto prazo mais ligados à perpetuação do poder adquirido nas urnas, e menos focados em atender às demandas da população. Continuamos a conviver com agentes políticos ocupando importantes cargos em nossas cidades, muitos deles completamente desconectados do território ou dos propósitos da pasta, por terem sido “importados ou inventados” somente para ocupar cotas partidárias…
Esses jabutis, como eu os chamo, (ver meu artigo sobre) geralmente são pouco qualificados e mal-informados, não sabem ou não querem fazer leitura adequada do contexto local, resistem a dialogar com a comunidade, e quando são obrigados ou pressionados a assumir responsabilidades, respondem com a truculência típica de quem precisa defender o próprio emprego.

Alguns destes, por ingenuidade ou tremendo talento para a representação, nos envolvem e tentam nos seduzir com simulados de planos e projetos desconectados da realidade, PPPs, parques temáticos, financiamentos mágicos com grandes players internacionais, terceirizações suspeitas, arranjos beirando o ilegal, etc… Eu perdi a conta de quantos destes Messias conheci nos meus 40 anos lidando com poder público!
Estes bizarros turistas drenam recursos públicos, não resolvem nossos problemas, e o pior, reforçam a descrença e desconfiança geral da população em relação à classe política. Durante o tempo que estão sentados nas cadeiras que nós pagamos com nossos impostos, geralmente sobrecarregam os valorosos servidores públicos de carreira, que se esforçam para manter a res publica ativa e operante. Um cenário trágico e indigno – e pense que nem falei aqui de corrupção…
Portanto, para quem deseja ainda participar democraticamente da vida política, fica a reflexão de que estamos dialogando com fantoches, manipulados por fantoches maiores, e estes por outras mãos, tão ocultas pela absoluta ausência ou excesso de “ideologias”, que quase não vale a pena se indignar ou brigar para assistir ao circo, pois não desejamos estar nesse picadeiro, onde não raro, soltam os leões sobre a gente!
Claro que temos aqui e ali alguns legados, secretários ou prefeitos que conseguem dialogar com a sociedade, articular projetos e implantar políticas públicas perenes; a estes abnegados empreendedores políticos realmente interessados e que sabem à serviço do que estão, minhas desculpas e meu reconhecimento. São como as terras raras – todos querem, mas são difíceis de achar e minerar…
Mas como diz o dito popular, não se pode enganar todo mundo o tempo todo, e a massa cidadã que compõe o grande eleitorado brasileiro, vai aos poucos melhorando sua percepção e senso crítico – leio nos comentários das postagens marketeiras muitas perguntas e comentários instigantes, o que chamo da “voz das ruas”, a lembrar que nos contos de fadas, o herói pode rapidamente virar vilão…
Nós somos os protagonistas de nossa história – não podemos perder o espaço e a capacidade de clamar nossos direitos ou expor a nossa indignação. Vamos trabalhar individual e coletivamente para definir o que queremos em nossas vidas, nossa comunidade, nosso segmento, nossa cidade, nosso país, cobrando de forma democrática, melhores posturas e responsabilidade de nossos dirigentes, sem cair no encantamento das narrativas que querem sanear o insaneável.

Empreendedor social, consultor empresarial, educador e músico, pai da Mariana e cidadão de Atibaia. Possui mais de 40 anos de trajetória profissional transitada entre o meio corporativo e o terceiro setor. Atualmente é dirigente da ONG Mater Dei de Atibaia-SP e violonista do grupo Eclético Musical.
