Pesquisa mostra crescimento de pretos e pardos em cargos de diretoria, porém participação ainda cai nos níveis mais altos de comando
A edição 2025 da pesquisa “Antes da TI, a Estratégia”, realizada pelo IT Forum com 327 executivos do setor, revela avanços, mas também reforça desequilíbrios importantes na representatividade racial dentro das empresas de tecnologia. Embora profissionais pretos e pardos estejam conquistando mais espaço em posições de liderança, a presença desses grupos diminui conforme os cargos se aproximam da alta cúpula.
Entre os 45 respondentes que se autodeclararam pretos ou pardos, 69% ocupam cargos de diretoria — proporção maior que a observada entre pessoas brancas, grupo majoritário no levantamento, em que 55% estão na mesma função. O avanço, no entanto, perde força conforme o recorte sobe na hierarquia: em posições equivalentes à vice-presidência, brancos ocupam 19% das cadeiras, ante 10% de pretos e pardos.
Para Bruna Bomfim, gerente de Pesquisa e Inteligência do IT Forum, o panorama reforça uma evolução ainda distante do ideal: “É inegável que avançamos, mas o ritmo ainda está muito distante do necessário. Em um setor que dita o futuro do país, diversidade não pode ser exceção. Esses números mostram progresso, mas também reforçam o tamanho do desafio para que lideranças negras ocupem espaços que historicamente lhes foram negados.”
O estudo também evidencia desigualdades de gênero. Das 46 mulheres participantes, apenas 14% se autodeclararam pretas ou pardas, mostrando que o avanço é ainda mais lento para esse grupo específico. Outro dado relevante é a ausência de pessoas indígenas em cargos de liderança pelo segundo ano consecutivo, apontando para uma lacuna histórica que permanece sem mudança.
Mesmo com sinais de evolução, o IT Forum observa que o setor de tecnologia segue distante de representar a pluralidade racial do país. Para Bruna, a data reforça o compromisso necessário para transformar essa realidade: “No Dia da Consciência Negra, os números servem como um lembrete de que representatividade no C-Level não é apenas estatística, mas um elemento central para inovação, competitividade e justiça social em um setor que molda o futuro do Brasil.”

