Pesquisas da Deloitte e SHRM indicam que ambiente saudável, equilíbrio na jornada e liderança empática superam a busca por ascensão rápida no mercado de trabalho

O Setembro Amarelo, mês focado na conscientização e prevenção do suicídio, ganhou nova dimensão no mercado corporativo ao evidenciar a saúde mental como fator central para a retenção de talentos da Geração Z. Levantamento da Society for Human Resource Management (SHRM) mostra que 61% dos jovens dessa geração trocariam de emprego por propostas com melhores benefícios de bem-estar. No Brasil, a pesquisa Gen Z and Millennial Survey 2026, da Deloitte, aponta que 69% dos jovens citam jornadas extensas como o principal motivo de estresse no trabalho.

Sinais de alerta na gestão de pessoas

Dados do estudo da Deloitte reforçam o abismo entre políticas institucionais e a experiência diária nas empresas:

  • Gargalos de comunicação: 62% da Geração Z no Brasil não se sentem confortáveis para debater saúde mental com suas lideranças diretas.
  • Principais vetores de ansiedade: Sobrecarga de jornada (69%), falta de reconhecimento (57%) e prazos insuficientes para demandas (54%).
  • Nova visão de carreira: 69% têm interesse em liderança, mas apenas 6% colocam o cargo como prioridade máxima, priorizando estabilidade e equilíbrio pessoal.

Aderência cultural e o papel do RH

Para Renato Mendes, especialista da Mendes Talent, o desafio das organizações é ir além de ações pontuais de calendário e alinhar o discurso do recrutamento à realidade interna. “Se a empresa promete equilíbrio, mas mantém jornadas excessivas e lideranças despreparadas, a percepção do profissional muda rapidamente, gerando turnover. A saúde mental precisa se transformar em prática diária de gestão”, pontua Mendes.

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