Ter menos pessoas ao seu redor pode ser uma grande vantagem para o seu negócio.

Parece contraditório, mas pense comigo: em uma cidade grande, existem milhões de pessoas para alcançar. O problema é que, no meio dessa multidão, também existem milhares de empresas disputando a mesma atenção.

No interior, o jogo é diferente.

A quantidade de pessoas é menor e o público está geograficamente mais concentrado. Isso cria uma vantagem importante para o marketing: é mais fácil definir quem você quer atingir e aumentar a frequência com que sua marca aparece para essas pessoas.

Imagine uma loja de tintas, uma corretora de seguros, uma academia ou um restaurante. Esses negócios não precisam ser conhecidos por milhões de pessoas. Precisam ser lembrados pelas pessoas certas, dentro da região em que atuam.

E aqui está um dos grandes diferenciais do interior: a distância entre conhecer uma marca e ouvir alguém falar sobre ela é muito menor.

A pessoa vê sua empresa no Instagram. Depois encontra seu anúncio. Passa em frente ao seu estabelecimento. Um amigo comenta sobre você. Dias depois, vê sua marca novamente.

São diferentes pontos de contato acontecendo dentro de um universo relativamente pequeno.

E é justamente essa repetição que começa a construir algo extremamente importante para qualquer empresa: familiaridade.

Uma pessoa dificilmente compra de uma empresa apenas porque viu um anúncio uma vez. Principalmente quando estamos falando de produtos ou serviços que exigem confiança.

Antes da compra, existe um processo.

O consumidor precisa conhecer sua empresa, entender o que você faz, perceber seus diferenciais e, principalmente, lembrar de você quando surgir a necessidade.

Por isso, marketing não deveria ser pensado apenas como uma ferramenta para gerar vendas imediatas.

Marketing também é uma ferramenta para ocupar espaço na mente das pessoas.

E no interior existe uma oportunidade enorme para fazer isso.

Pense em uma cidade com 100 ou 150 mil habitantes.

Dependendo do seu segmento, talvez seu verdadeiro público seja formado por 20 mil, 10 mil ou até 5 mil pessoas.

Isso significa que você não precisa falar com todo mundo.

Precisa identificar quem realmente importa para o seu negócio e construir presença diante dessas pessoas.

Essa mudança de pensamento é importante.

Muitas empresas ainda avaliam suas ações de marketing apenas pela quantidade de pessoas alcançadas.

“Nosso anúncio chegou a 100 mil pessoas.”

Ótimo.

Mas quantas dessas pessoas realmente poderiam comprar?

Talvez seja mais interessante alcançar 15 mil pessoas da sua região diversas vezes do que aparecer uma única vez para 100 mil pessoas espalhadas por lugares onde sua empresa nem atua.

Alcance sem estratégia pode ser apenas um número bonito.

Para uma empresa local, frequência pode valer muito mais.

É aqui que o tamanho limitado do mercado deixa de ser uma desvantagem e começa a se transformar em oportunidade.

Você consegue criar uma espécie de “linha” ao redor do seu público.

Consegue definir cidades, bairros, interesses, perfis e comportamentos.

Mas existe algo ainda mais interessante: no interior, o marketing digital não acontece isolado do mundo real.

As pessoas se encontram.

Conversam.

Frequentam os mesmos lugares.

Participam dos mesmos eventos.

Conhecem pessoas em comum.

Um cliente vê seu anúncio pela manhã e, à tarde, passa em frente à sua empresa.

Outro acompanha seu Instagram e depois escuta um amigo comentar que comprou de você.

Uma pessoa vê sua marca patrocinando um evento da cidade e, dias depois, encontra seu conteúdo novamente nas redes sociais.

Esses pontos de contato vão se acumulando.

Até que sua empresa deixa de parecer desconhecida.

O consumidor começa a pensar:

“Eu conheço essa empresa.”

Mesmo que nunca tenha comprado de você.

Essa percepção tem um valor enorme.

Porque quando finalmente chegar o momento da compra, você não estará começando do zero.

Sua marca já estará presente.

É por isso que empresas do interior deveriam prestar muita atenção em um indicador que não aparece facilmente em uma planilha:

lembrança.

Quando alguém precisa de um produto ou serviço do seu segmento, quais são as primeiras empresas que vêm à cabeça?

Se você tem uma imobiliária, quais imobiliárias são lembradas primeiro?

Se possui uma academia, quais nomes aparecem quando alguém decide começar a treinar?

Se vende materiais para construção, quais lojas são consideradas antes mesmo de o cliente pesquisar preço?

Existe uma disputa acontecendo antes da venda.

A disputa pela lembrança.

E quem vence essa disputa começa a jornada de compra alguns passos à frente dos concorrentes.

O problema é que muitas empresas locais fazem exatamente o contrário.

Elas aparecem quando precisam vender.

Quando o movimento cai, começam a anunciar.

Quando precisam aumentar o faturamento, voltam a publicar.

Quando as vendas melhoram, desaparecem novamente.

Isso transforma o marketing em uma espécie de botão de emergência.

Mas marca não funciona assim.

Você não constrói lembrança apenas quando precisa dela.

Lembrança é consequência de constância.

É aparecer quando o cliente precisa comprar e também quando ele ainda não precisa.

É construir presença antes da necessidade.

Porque talvez hoje aquela pessoa não precise de uma tinta.

Não precise trocar de academia.

Não esteja procurando um imóvel.

Não queira contratar um seguro.

Mas daqui a três, seis ou doze meses isso pode mudar.

E quando esse momento chegar, alguma empresa será lembrada primeiro.

A pergunta é: será a sua?

Essa é uma das maiores oportunidades de construir uma empresa no interior.

Você não precisa dominar a atenção de milhões de pessoas.

Precisa conquistar um território muito menor e muito mais definido.

Precisa fazer sua marca circular dentro dele.

Ser vista.

Ser comentada.

Ser reconhecida.

Ser recomendada.

E, principalmente, ser lembrada.

Em uma grande cidade, você pode investir muito dinheiro e ainda assim se perder no meio do excesso de informação e concorrência.

No interior, uma estratégia bem segmentada e executada com frequência consegue gerar uma presença muito forte.

Por isso, limitar o alcance nem sempre significa limitar o crescimento.

Às vezes, significa concentrar sua força.

É mais fácil se tornar uma marca conhecida em uma cidade de 150 mil habitantes do que em uma metrópole de 10 milhões.

Mas existe uma condição: constância.

Não adianta aparecer uma vez e desaparecer.

Quem domina um mercado local é quem consegue estar presente repetidamente até que, quando o cliente precisar daquele produto ou serviço, um nome venha primeiro à cabeça.

No interior, você não precisa alcançar todo mundo. Precisa ser impossível de esquecer para as pessoas certas.

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