Pensamento analítico, adaptabilidade, comunicação e domínio de novas tecnologias ganham espaço nos processos seletivos; estudo do ManpowerGroup aponta que 80% das empresas enfrentam escassez de talentos no país
Em um mercado corporativo profundamente transformado pela inteligência artificial e por modelos flexíveis de trabalho, a experiência anterior e o conhecimento técnico continuam relevantes, mas deixaram de ser os únicos fatores decisivos para a contratação. Cada vez mais, recrutadores valorizam habilidades interpessoais (soft skills) e a capacidade de aprendizagem contínua (lifelong learning).
Pesquisa do Fórum Econômico Mundial (Future of Jobs Report 2025) revela que o pensamento analítico é considerado uma competência essencial por 69% dos empregadores globais. Na sequência, aparecem resiliência, flexibilidade e agilidade (67%), além de liderança e influência social (61%). Alfabetização tecnológica, empatia, escuta ativa e curiosidade intelectual também figuram no topo das prioridades corporativas.
No cenário nacional, o levantamento Habilidades em Alta em 2026, do LinkedIn, reforça a convergência entre conhecimentos técnicos e comportamentais. Saber operacionalizar ferramentas de IA, transformar dados em decisões e gerenciar stakeholders são competências em forte expansão no Brasil.
Para Anita Bernardo, Senior Account Director da edtech Letmino, o mercado busca profissionais com capacidade de adaptação real a novos cenários:
“Estamos vivendo uma mudança na forma como as empresas avaliam talentos. O conhecimento técnico continua fundamental, mas precisa vir acompanhado da capacidade de interpretar cenários, aprender rapidamente, se comunicar e aplicar esse conhecimento a novos desafios. Muitas vezes, o diferencial não está em saber tudo, mas em demonstrar capacidade de continuar aprendendo.”
Escassez de talentos e a personalização da aprendizagem
A busca por profissionais com perfis híbridos ocorre em meio a um gargalo estrutural no recrutamento. Segundo a Pesquisa de Escassez de Talentos 2026, realizada pelo ManpowerGroup, 80% dos empregadores brasileiros declaram ter dificuldades para preencher vagas abertas por falta de candidatos qualificados.
Diante do desafio, quase nove em cada dez empresas no país pretendem investir no treinamento e na requalificação de suas equipes nos próximos anos.
Nesse contexto, a capacitação corporativa tem migrado de treinamentos genéricos para jornadas personalizadas de aprendizagem. Plataformas como a Letmino utilizam inteligência artificial para diagnosticar lacunas individuais de conhecimento e estruturar rotas de desenvolvimento sob medida para os objetivos de cada profissional.
Para quem busca recolocação ou ascensão na carreira, a recomendação dos especialistas é mapear as exigências do setor e focar em formações direcionadas que tragam aplicação prática para os desafios diários da função.
