Em meio às montanhas da Serra da Mantiqueira, Atibaia vem mostrando que desenvolvimento não é só asfalto e concreto. É gente criando, cooperando e transformando cultura em renda. Duas economias têm papel decisivo nisso: a criativa e a solidária.

Economia criativa: Atibaia no mapa do talento
Atibaia se consolidou como a maior economia da região bragantina e vem liderando a geração de empregos desde 2021. Ano a ano com o maior saldo regional de novas vagas com carteira assinada. Parte desse dinamismo vem da economia criativa.

O setor pulsa no turismo de eventos, gastronomia, audiovisual e artesanato. A Festa de Flores e Morangos, o Festival de Inverno, os estúdios de design e produtoras locais movimentam hotéis, restaurantes e comércio. Na região bragantina, polos como Socorro com malharias e Joanópolis com turismo rural mostram que criatividade interioriza renda. Um celular grava um clipe na Pedra Grande, uma cervejaria artesanal exporta rótulo, um designer em Bom Jesus dos Perdões atende cliente em São Paulo. É cérebro virando PIB.

Economia solidária: cooperação que segura o tranco
Enquanto isso, a economia solidária finca raízes. São cooperativas, associações e grupos de produção coletiva que priorizam gente antes do lucro. Em Atibaia, exemplos não faltam: Cooperativa Agrícola Sul-Brasil, Coopernorpi e cooperativas de motoristas autônomos organizam produção e serviços de forma autogestionada.

Esse modelo se mostra estratégico contra desemprego e informalidade, que ainda afetam muitos brasileiros. Funciona assim: pequenos produtores rurais da região se unem para vender morango direto na feira, artesãs compartilham espaço e máquinas, bancos comunitários garantem microcrédito sem juros abusivos. A base é cooperação, autogestão e cadeias curtas. Em 2016, o Brasil já registrava 20.670 empreendimentos solidários, e a rede só cresce.

O cruzamento que dá futuro
Criativa e solidária se encontram em Atibaia quando um coletivo de artistas faz uma feira colaborativa no Centro de Convenções, quando agricultores familiares fornecem para chefs de cozinha autoral, quando cooperativas de turismo organizam roteiros de experiência na zona rural de Piracaia e Nazaré Paulista.

Atibaia figurou no Top 50 paulista de geração de empregos em 2023, com saldo de 1.304 vagas. Manter essa liderança exige ir além do emprego tradicional. Significa apoiar editais para cultura, incubar cooperativas, abrir compras públicas para associações locais e desburocratizar licenças para pequenos negócios criativos.

O Brasil de 2026 precisa de desenvolvimento que não expulse as pessoas de seus territórios. A economia criativa dá asa, a solidária dá raiz. Juntas, fazem Atibaia e região crescer com respeito às origens e tradições.
Até o próximo artigo e novas reflexões.

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