O início do ano costuma acelerar admissões nas empresas, mas escolhas feitas sem critério podem gerar custos elevados, afetar equipes e comprometer resultados ao longo de todo o ciclo

Com a virada do ano e a retomada dos processos de contratação, muitas empresas entram em 2026 com a meta de começar com o pé direito. No entanto, decisões apressadas podem gerar um efeito contrário. Segundo a Society for Human Resource Management (SHRM), substituir um colaborador pode custar entre 50% e 200% do salário anual, percentual que pode chegar a 213% em cargos de maior senioridade. O dado reforça que o início do ano, tradicionalmente marcado por novas admissões, é também o momento mais estratégico para evitar erros na origem do processo seletivo.

Empresas interessadas em dimensionar esse risco financeiro de forma mais precisa já recorrem a ferramentas específicas, como calculadoras online que consideram variáveis como número de funcionários e média salarial para simular o custo potencial de uma contratação inadequada.

O impacto, porém, vai além do financeiro. A pressa para preencher vagas sem análise criteriosa está diretamente ligada à queda de produtividade, desgaste das equipes, retrabalho dos gestores e até à deterioração da reputação da empresa como empregadora. Quando o encaixe é inadequado, os efeitos se multiplicam dentro da organização.

No Brasil, o turnover atingiu 56% em 2025, segundo levantamento da consultoria Robert Half. Em grande parte dos casos, o problema tem origem em falhas no processo seletivo, especialmente na etapa inicial de alinhamento entre expectativas da empresa e do profissional.

Para Gustavo Sèngés, Country Manager da HireRight no Brasil, líder global em soluções de verificação de antecedentes e histórico pessoal, o erro está justamente no desalinhamento de base. “Contratar errado significa um desencaixe claro entre o que a empresa espera e o que o profissional busca, seja no perfil comportamental, nos valores ou nas expectativas de carreira”, avalia.

Estimativas da Harvard Business Review indicam que até 80% da rotatividade pode ser atribuída a contratações equivocadas. Nesse contexto, a verificação de antecedentes vem ganhando espaço como ferramenta estratégica no RH, indo além da checagem de histórico profissional para validar integridade e compatibilidade cultural.

“Uma verificação de antecedentes robusta é a principal solução contra a alta rotatividade, aquelas demissões precoces e custosas que ocorrem quando há uma incompatibilidade fundamental de valores”, analisa Sèngés. “Estamos migrando de uma cultura do recrutamento às cegas para a da contratação certeira”, complementa.

Mais do que um procedimento burocrático, a due diligence pré-contratação atua como um filtro que protege o capital humano da empresa. Sem essa etapa, organizações permanecem expostas a inconsistências curriculares, lacunas de qualificação e desalinhamentos de valores, fatores que frequentemente resultam em desligamentos precoces.

“Muitas empresas ainda enxergam a triagem pré-contratação como uma despesa, quando na verdade ela funciona como uma proteção com alto retorno sobre o investimento. Cada decisão bem fundamentada evita prejuízos que se multiplicam e impactam diretamente o resultado do negócio”, conclui o executivo.

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