Da Redação. Reportagem especial: Arthur Gebara, Elaine Lina e Thiago Grassi. Redação: Arthur Gebara. Edição de vídeos: Erick Araújo. Fotos: Elaine Lina e Juliana Grassi. (Na foto: Edson Sousa ao lado dos troféus na sede do Cosmopolitano)
O ex-jogador e presidente da Expert Consultoria em RH se dedica muito à empresa que fundou, mas não deixou de lado a paixão pelo futebol
O futebol sempre fez parte da trajetória do empresário Edson Luis de Souza, fundador e presidente do Grupo Expert, uma das principais consultorias de RH da região. A empresa soma 20 unidades, com sede em Campinas e outras 19 espalhadas por cidades do interior paulista — como Atibaia, Bragança Paulista, Itatiba e Jundiaí — além de duas na capital e uma em Extrema (MG).
Agora a empresa se expande para o resto do Brasil, abrindo escritório em Feira de Santana, na Bahia, e possíveis projetos em outros estados. O executivo também é presidente do centenário Cosmopolitano, clube de futebol da sua cidade natal, Cosmópolis, na região de Campinas. No clube, ele criou um centro formador de jogadores que atende comunidades locais, contribuindo para a formação de atletas desde a infância.

O amor pelo futebol começou quando o empresário, ainda adolescente, percebeu que tinha um talento natural. No Brasil dos anos 1960 e 1970, vivia-se a era de ouro do futebol brasileiro, e o jovem Edson começou a imaginar um futuro de glórias nos gramados. Ele se inspirou, principalmente, na trajetória do Santos, até hoje seu clube do coração e berço do maior jogador de todos os tempos, seu xará, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, que liderou o inesquecível e lendário ataque santista na década de 1960.
O começo
Souza iniciou sua carreira na base do Guarani e acabou jogando por vários outros clubes como profissional. “Aos dezesseis anos, eu estava iniciando a carreira no futebol aqui em Campinas, no Guarani. Vim de Cosmópolis para cá e, durante quatro anos, morei debaixo da arquibancada, onde se alojavam os jogadores da base”, recorda.
Nessa época, Edson já acreditava que o seu futuro seria no futebol. Foi aí que começou uma trajetória profissional que o levaria a jogar em vários times do interior de São Paulo, além do Bugre: “Joguei a Série B e a terceira divisão, defendendo vários clubes do interior, como Capivariano, Funilense, Descalvado e Salto”, conta o empresário.
Mas o destino mudou seus planos. Contratado por uma grande empresa da área industrial para jogar futebol, ele acabou se interessando pela área administrativa. Voltou a estudar, concluiu a faculdade de Administração e iniciou uma outra carreira, que o levou até a Diretoria Administrativo-Financeira da empresa onde havia entrado apenas para jogar bola.
“Quando surgiu a oportunidade de voltar aos estudos e iniciar uma nova carreira, lembrei-me dos conselhos de um treinador de um dos clubes em que joguei. Ele abriu os meus olhos para a importância de estudar e ter uma profissão alternativa ao futebol. Dizia que o estudo era indispensável, pois nem todos vão se tornar atletas profissionais. Deveríamos pensar numa carreira, quem sabe se tornar um empresário ou um funcionário de uma grande empresa.” Aquilo foi determinante para que Edson reconsiderasse os rumos da sua vida profissional. “Na empresa, comecei a trabalhar nos Serviços Gerais e saí como Diretor Administrativo-Financeiro depois de dezenove anos”, conta Souza.
Empresário
Contudo, o futebol não deixou de fazer parte da sua vida. Ele sentia que ainda daria uma contribuição ao esporte, não exatamente como jogador, mas utilizando seu conhecimento como profissional e empreendedor para ir mais longe, tornar-se um investidor e contribuir para a formação de jovens atletas. Mas, para isso, Edson precisava ainda percorrer um caminho empresarial que o permitisse realizar plenamente o seu sonho.

O novo começo
Em 1997, ele deixou a empresa onde era diretor para fundar a Expert Consultoria de RH, visando atender um mercado que vinha crescendo e oferecendo boas oportunidades em sua região. A empresa foi criada com o objetivo de aproximar profissionais em busca de oportunidades das grandes empresas locais, focando no desenvolvimento e suprimento de talentos. Ao longo dos anos, consolidou-se como referência e líder de mercado no interior de São Paulo e no Sul de Minas Gerais.
Para Souza, o começo da empresa foi promissor, já que existia uma grande demanda por mão de obra na região e no estado. A consultoria cresceu e se expandiu para outras cidades em função dos próprios clientes. Algumas empresas que a Expert atendia se mudavam ou abriam filiais em outras cidades e precisavam dos mesmos serviços. Assim surgia uma nova filial.
“Tínhamos muito trabalho e fomos bem-sucedidos em novos mercados. Ao contrário do que acontece hoje, naquela época as pessoas queriam trabalhar e, quando divulgávamos uma vaga, um grande número de pessoas se candidatava. Quando mudamos para este prédio da sede da empresa, aqui em Campinas, formavam-se filas de candidatos na nossa porta para entregar o currículo”, afirma.
Mudanças
Contudo, hoje o cenário é outro. De acordo com o empresário, não aparece quase ninguém quando se divulga uma vaga de emprego. Segundo ele, isso se deve às mudanças tecnológicas e às particularidades das novas gerações, que parecem pouco interessadas em trabalhar no modelo tradicional das empresas.
Mas a demanda por mão de obra é real, e o papel da empresa de Edson é atender o cliente de qualquer maneira. Como ele afirma: “Aí você precisa correr atrás, buscar, descobrir onde estão essas pessoas que ainda querem trabalhar”. Ele lembra que as mudanças e os impactos causados pelas novas tecnologias e novos modelos de negócios transformaram o processo de recrutamento. “A gente está num processo de caça. Tem que buscar o profissional em casa, às vezes; esse é o termo que a gente usa. Se não tem profissional, o problema é da consultoria.” Edson afirma que as empresas não aceitam desculpas. “Se nos contratam, é porque elas querem que a gente ache o funcionário com o perfil adequado para a vaga. Então o ‘não ter’ não existe, a gente vai ter que achar esse profissional.“
Para ilustrar como o mercado de trabalho mudou e se tornou totalmente imediatista, Edson conta um episódio que se repete frequentemente na matriz da Expert, em Campinas: “Estamos aqui na Francisco Glicério, mil setecentos e trinta e um, e a empresa que faz o exame médico admissional está aqui do lado. Alguns candidatos vêm aqui já aprovados para uma determinada vaga, mas, quando saem para fazer o exame do outro lado da rua, somem, vão embora. No meio do caminho, receberam uma mensagem ou um telefonema sobre outra vaga com salário um pouco maior.”

Souza afirma que este é um dos maiores problemas dessa geração: “Às vezes abandonam um emprego certo e combinado por muito pouco. Dez a mais, cinquenta a mais, cem a mais… qualquer coisinha de benefício, qualquer coisinha a mais, o candidato abandona o exame que ia fazer e já corre para a outra empresa.”
Choque de gerações: a ilusão do Home Office
As mudanças do mercado e as características das novas gerações levaram a Expert a mudar suas estratégias para atender os clientes. Souza também lembra como as políticas sociais de distribuição de renda têm impactado o mercado de trabalho e expõe, de maneira muito direta, sua visão crítica sobre as aspirações dos jovens profissionais e os impactos da assistência social:
“Hoje nós deparamos com a realidade dos programas que o governo oferece, as cestas… isso tem sido, infelizmente, um atrativo para as pessoas que realmente não querem trabalhar. Porque se a pessoa trabalhar dois ou três dias em qualquer serviço, ela ganha X e complementa com o Bolsa Família.”
Sobre o home office, ele afirma que muitos só aceitam uma proposta de emprego se puderem trabalhar remotamente alguns dias da semana. “O home office proporciona à pessoa outra atividade, ela pode cuidar de outras coisas”. Ele acrescenta que, nesse contexto, a nova geração que está entrando no mercado quer o emprego, mas não quer o trabalho.
“Alguns chegam aqui e já perguntam: ‘então vou ter que trabalhar? Vou ter que fazer isso?‘. Querem o emprego, o salário, o benefício, mas não querem o trabalho. E aí esses são mais difíceis de reter.”
“Já os funcionários com mais de cinquenta anos aceitam o trabalho e normalmente são muito bem-sucedidos nas empresas. Não discutem salários, querem trabalhar, voltar ao mercado, e são pessoas que vêm com uma bagagem, que vêm com uma experiência“, afirma.
Sobre as novas tecnologias e ferramentas de automação, Edson acredita que a Inteligência Artificial não vai prejudicar o mercado de trabalho se o ser humano souber usá-la: “Vai afastar o recurso humano? De jeito nenhum. Vai afastar o ser humano profissional? Primeiro, porque ela é comandada pelo profissional, pelo ser humano. Tem que saber usar.“
Venda a empresa!!
Do ponto de vista comercial, o empresário acredita que, antes de falar em valores, é fundamental vender a marca, a credibilidade da empresa. Por conta disso, seus consultores e gerentes comerciais são orientados a priorizar a Expert por sua tradição, credibilidade e eficiência no mercado.

“É importante mostrar para o cliente que aquela empresa que cobra mais barato não tem a qualidade que nós temos para entregar. Isso é o que temos que vender. Nossa empresa tem vinte e nove anos, possui uma estrutura sólida e olha para o futuro.”
Atendimento
Para o empresário, o atendimento é crucial em todos os segmentos do comércio e dos serviços. Muitas vezes, o que se vê no mercado é a falta de treinamento e de preocupação das empresas com algo tão fundamental.
Nunca pendurar as chuteiras
Sobre a aposentadoria, Edson não quer nem ouvir falar. Quando questionado até quando pretende manter o controle de uma operação espalhada por mais de 20 filiais, ele responde com energia: “Uso a frase que o Zagallo falava: ‘vocês vão ter que me engolir’. Já estou aposentado pelo INSS, mas gosto de trabalhar, de estar aqui, de estar presente. Eu quero ver as coisas acontecendo.”, completa.


