Especialista alerta para sinais de burnout e aponta caminhos práticos para preservar a saúde mental e fortalecer o negócio no longo prazo
A rotina intensa e a pressão constante por resultados têm cobrado um preço alto da saúde mental dos empreendedores brasileiros. Pensar estrategicamente, observar o mercado e refletir sobre o futuro da empresa fazem parte do papel de quem lidera. O esgotamento surge quando imprevistos, exceções e decisões operacionais continuam recaindo sistematicamente sobre o empresário, revelando estruturas pouco maduras para funcionar sem a presença constante do fundador.
No Brasil, 94,1% dos empreendedores de alto impacto afirmam ter vivenciado ao menos uma condição adversa de saúde mental ao longo da jornada. A ansiedade lidera o ranking, atingindo 85%, seguida por burnout (37%), ataque de pânico (22%) e depressão (21%), segundo estudo da Endeavor. Os números evidenciam um problema que, muitas vezes, se manifesta de forma silenciosa.
Falta de energia constante, irritabilidade, dificuldade de concentração, queda de produtividade, insônia e a sensação persistente de que “nunca é suficiente” estão entre os sinais mais comuns de desequilíbrio. Para o empresário, investidor e estrategista Fernando Campanholo, especialista em transformar empresas em negócios mais lucrativos e independentes pela Viva Positivamente, reconhecer esses sinais é o primeiro passo para evitar consequências mais graves, tanto para a saúde quanto para o próprio negócio.
Segundo ele, o erro não está na dedicação, mas na forma como o esforço é aplicado. Confundir comprometimento com estar ocupado o tempo todo, assumir tarefas operacionais que deveriam estar nas mãos da equipe, microgerenciar processos ou insistir em atividades pouco produtivas gera desgaste sem necessariamente produzir crescimento. “Quando o empreendedor coloca energia no lugar errado e não cuida de si, acaba construindo um negócio frágil. Quando a empresa depende do empresário para tudo, o custo não é só emocional, mas também estratégico”, afirma.
O especialista destaca que é possível reduzir o esgotamento sem comprometer a performance. Um dos caminhos é substituir o microgerenciamento por indicadores claros de acompanhamento. Quando o empresário define métricas objetivas, passa a controlar o negócio por dados, e não pela ansiedade de acompanhar cada detalhe.
Outra prática importante é identificar tarefas operacionais que permanecem centralizadas por medo ou apego. Muitas vezes, atividades que poderiam ser executadas por profissionais treinados continuam nas mãos do fundador por receio de perder o controle. Treinar a equipe e acompanhar os resultados por método reduz a sobrecarga e fortalece a autonomia do time.
Pequenas decisões do dia a dia também podem ser delegadas com critérios definidos. Quando tudo depende da validação do empresário, a mente permanece em alerta constante. Ao estruturar limites e responsabilidades, o líder ganha espaço mental e percebe que o negócio consegue avançar mesmo sem sua interferência direta em cada etapa.
Por fim, Campanholo recomenda reservar tempo intencional para o pensamento estratégico. Dedicar ao menos uma hora por dia — ou, quando não for possível, meia hora — para analisar processos, desenvolver líderes e elevar o nível da empresa ajuda a sair do modo sobrevivência e retomar o controle do crescimento.
Em um ambiente empresarial cada vez mais exigente, preservar a saúde mental do empreendedor deixou de ser uma questão individual e passou a ser também um fator de sustentabilidade do negócio. Identificar sinais de esgotamento e reorganizar prioridades pode ser decisivo para manter não apenas a performance, mas a longevidade da empresa.

