Pois é, meus queridos e queridas. O Dia das Mães está chegando — e junto com ele aquela enxurrada de campanhas repetidas, frases prontas e imagens que parecem todas recortadas do mesmo catálogo das últimas décadas. Uma mãe sempre perfeita, sempre sorrindo, sempre disposta, sempre “dando conta”. A mãe que cuida de todos, mas raramente é cuidada. A mãe que resolve, que ampara, que equilibra a casa, que sustenta o negócio, que faz milagres silenciosos e ainda agradece no final. A mãe de comercial, não de carne e osso.
Só que a pergunta que eu queria te fazer hoje é outra: quem é, de verdade, a mãe que sua empresa está celebrando em 2026?
Porque a mãe real — essa que caminha pelas ruas de Atibaia, Bragança, Nazaré Paulista, Mairiporã, Jundiaái, São Paulo e o Brasilzão todo — está cansada de ser reduzida a um buquê de flores genérico, uma frase no Instagram ou, pior ainda, a um liquidificador “em promoção especial”. Ela sabe que não é infalível. E, ao contrário do que muitos ainda supõem, não quer esse pedestal onde colocam todas as expectativas do mundo sobre os seus ombros.
A mãe real é mulher. É profissional. É empreendedora. É alguém que pensa na própria trajetória com a mesma força com que pensa no futuro dos filhos. É gente que tenta construir uma rotina possível — não perfeita —, que negocia com a vida o tempo, a energia, a culpa, os sonhos. Gente que não precisa que o comércio diga “obrigada por ser tudo” quando, no fundo, o que deseja é ser vista também como pessoa. Gente que prefere diálogo a heroísmo, presença a obrigação, afeto a performance.
E aí eu volto para você, empresário, empreendedora, gestor, dona de um pequeno comércio, líder de uma grande marca: como a sua empresa está olhando para esse Dia das Mães?
Porque, sinceramente, não falta repertório para cairmos nos estereótipos. Eles estão por toda parte: “ela merece descanso”, “ela merece ser mimada”, “ela merece um dia só para ela”. Tudo muito bonito — e tudo muito pouco. A mãe de 2026 não está pedindo um “dia”. Está pedindo respeito. Está pedindo representatividade sem floreio. Está pedindo que as marcas conversem com ela como adulta, profissional, cidadã. Não como uma heroína de conto de fadas incumbida de salvar a família inteira enquanto posa sorrindo para a foto.
As ações de relacionamento e promoções do Dia das Mães podem, sim, fazer diferença — e muitas marcas já entenderam isso. Há quem ofereça experiências compartilhadas, e não presentes prontos. Há quem destaque mães empreendedoras da região, contando suas histórias reais. Há quem substitua campanhas de “compre e ganhe” por iniciativas que liberam tempo, e não só produtos: atendimentos estendidos, serviços personalizados, pequenas facilidades no cotidiano. Há quem traga a mãe para o centro da conversa não como símbolo, mas como pessoa.
E tudo isso vale para qualquer porte: da padaria do bairro que homenageia mães trabalhadoras da própria equipe, ao marketplace que coloca mães criadoras e artesãs em evidência; do restaurante que decide abrir espaço para famílias diversas, à grande empresa que usa o alcance para provocar reflexões, e não só para vender.
No fundo, a questão é simples: a mãe que você está retratando existe? Ou você está reforçando um imaginário que já não conversa com a vida real?
Porque, se a reputação de uma marca se constrói na coerência — e sabemos que se constrói —, o Dia das Mães é um ótimo termômetro para ver quem está atento ao mundo que muda e quem ainda insiste na mãe idealizada que serve ao marketing, mas não toca a realidade.
E você? Como tem visto as campanhas e ações deste ano? Alguma parceria, promoção ou narrativa te incomodou ou te encantou? Quem é a mãe que a sua marca escolheu celebrar — e quem é a mãe que você vê todos os dias ao seu redor?
Me conte. Talvez sua percepção seja exatamente o que vale a pena trazer no próximo artigo. Vamos falar mais sobre isso?

Profissional de Relações Públicas pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação organizacional pela ECA-USP, é também jornalista, empresária, palestrante e consultora de empresas com mais de 20 anos de experiência em comunicação interna e relacionamento com a imprensa. Professora universitária por 16 anos nos cursos de Comunicação, Marketing, Administração e Recursos Humanos nas instituições UniFaat, Fecap, Uniso e PUCCampinas.

