A habilidade que a IA não tem e que o líder brasileiro também não domina
Informar e garantir compreensão são coisas diferentes, e a maioria das lideranças ainda não percebeu isso.Continue lendo
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A corrida das big techs pela próxima geração de dispositivos com inteligência artificial ganhou força nos últimos dias com o avanço de óculos inteligentes que funcionam como extensão do computador. A Meta ampliou sua aposta na categoria, enquanto Google e Apple disputam o desenvolvimento de soluções que levam a IA para fora das telas e aproximam a tecnologia do campo de visão do usuário.
A movimentação sinaliza uma nova etapa da transformação digital. Se nos últimos anos a inteligência artificial generativa passou a automatizar tarefas e acelerar a produção de conteúdo, a tendência agora é que a tecnologia esteja cada vez mais integrada à rotina operacional de profissionais em áreas como vendas, atendimento, logística, varejo e indústria.
Para Dema Oliveira, CEO e fundador da Goshen Land, a adoção dessas ferramentas exige uma preparação que vai além da tecnologia. Segundo ele, muitas pequenas e médias empresas ainda enfrentam dificuldades básicas de organização, o que limita o potencial de qualquer inovação.
“O erro mais comum é acreditar que tecnologia resolve problemas de estrutura. Na prática, ela só acelera aquilo que a empresa já faz. Se os processos são confusos, os dados estão dispersos e as decisões dependem exclusivamente do dono, a inovação só torna essas fragilidades mais evidentes.”
Segundo o especialista, antes de investir em novas soluções baseadas em inteligência artificial, as PMEs deveriam revisar cinco aspectos fundamentais da gestão.
1. Mapear o tempo da operação por 15 dias
Durante duas semanas, cada colaborador deve registrar sua rotina em uma planilha simples, dividida por blocos de atividade (ex: atendimento, vendas, reuniões, tarefas operacionais, retrabalho e aprovações). O ideal é anotar ao longo do dia, não no fim dele, para evitar distorções.
Ao final do período, a gestão deve consolidar os dados e somar o tempo gasto em cada categoria. O objetivo é identificar atividades que consomem muitas horas, mas não geram receita ou impacto direto no cliente.
2. Documentar três processos centrais do negócio
A empresa deve escolher três fluxos críticos, normalmente vendas, atendimento e entrega e descrevê-los do início ao fim. Para cada etapa, é preciso definir: quem executa, qual é a ação realizada, qual ferramenta é usada e qual informação precisa ser registrada.
Na prática, isso significa transformar atividades informais em um passo a passo replicável, que possa ser seguido por qualquer novo colaborador sem depender de orientação direta do gestor.
3. Centralizar os dados da operação
O próximo passo é reunir todas as informações comerciais, financeiras e operacionais em um único ambiente de controle. Isso pode ocorrer por meio de um sistema único ou uma estrutura organizada de planilhas integradas, desde que haja uma fonte principal de informação.
Hoje, muitas empresas operam com dados espalhados entre WhatsApp, e-mails e arquivos isolados. O resultado é que gestores gastam tempo procurando informações em vez de utilizá-las para tomar decisões.
4. Mapear decisões concentradas no dono
Durante uma semana, o empresário deve registrar todas as situações em que a equipe precisou de sua aprovação para avançar em qualquer processo. Depois disso, essas decisões devem ser classificadas entre estratégicas, financeiras e operacionais.
As decisões operacionais recorrentes devem virar regra formal da empresa (como critérios de aprovação, limites de desconto ou fluxos de atendimento), reduzindo a necessidade de intervenção constante da liderança.
5. Definir indicadores semanais da operação
Além de faturamento e lucro, a empresa deve acompanhar semanalmente indicadores como tempo médio de resposta ao cliente, taxa de conversão, retrabalho, atrasos em entregas e produtividade por etapa do processo.
Esses indicadores devem ser analisados em reuniões curtas e objetivas, com foco em decisões práticas e ajustes necessários para melhorar os resultados da operação.
“A próxima geração de dispositivos com inteligência artificial tende a transformar a forma como profissionais acessam informações e tomam decisões no dia a dia. Um vendedor poderá consultar o histórico de clientes em tempo real, um técnico poderá receber orientações durante uma manutenção e gestores terão indicadores disponíveis instantaneamente. Mas nada disso gera valor se os processos não estiverem organizados e os dados não forem confiáveis”, afirma Oliveira.
Para o especialista, empresas que estruturarem sua operação agora estarão mais preparadas para aproveitar os ganhos da próxima onda tecnológica, seja por meio de softwares, automações ou dispositivos inteligentes integrados ao trabalho cotidiano.Continue lendo
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