Hoje escrevo diretamente aqui da 3ª expo Industrial e de Serviços de Atibaia. Estou aqui como expositora, com uma startup de tecnologia, e também como jornalista do JVN. E conversando com tantos outros empreendedores, empresários, colegas de imprensa e visitantes, reafirmo a minha convicção do quanto uma feira de negócios pode ser decisiva quando a participação é bem pensada.
Aqui posso observar, na prática, algo que sempre defendo: uma feira não é um “evento”, é um projeto de relações – com clientes, fornecedores, parceiros, mídia e comunidade. Quem chega com objetivo claro, narrativa consistente e disciplina de execução volta com um mapa de oportunidades muito mais valioso do que um punhado de cartões.
E primeira escolha começa antes mesmo de passar pelo credenciamento no espaço do evento: por que estar aqui? Se a resposta não cabe em uma frase simples, vale lapidar. Pode ser geração de leads qualificados, fechamento de parcerias específicas, validação de uma oferta, leitura de mercado, posicionamento da marca como referência. O que não pode é “vir para ver no que dá”. Isso porque quando sabemos o que queremos alcançar numa ação assim, fica mais fácil decidir onde investir tempo, quem abordar e como contar a nossa história.
E aí que elas aparecem mais uma vez: as relações públicas – porque essa área do conhecimento vai te ajudar a alinhar esses pontos. Pensando estrategicamente no relacionamento com seus públicos de interesse, o stand vira um ponto de contato vivo com a sua reputação: cada conversa, cada material, cada gesto comunica. É ali que se testam mensagens, se observam reações e se ajusta a forma de apresentar o valor do negócio. É também onde a escuta qualificada acontece. Em poucos minutos, conversas orgânicas revelam dores do cliente, critérios de compra, percepções sobre concorrentes e barreiras escondidas. Nada substitui a densidade do insight coletado olho no olho, no aperto de mãos.
Outro ganho que muitas empresas subestimam é a chance de fazer benchmarking e pesquisa “na fonte”. Observar fluxos, preços praticados, argumentos de venda, formatos de demonstração, tecnologias integradas – tudo isso aponta para onde o seu mercado está indo e onde você pode se diferenciar. E, no mesmo corredor, estão potenciais fornecedores e parceiros capazes de reduzir custos, encurtar prazos, ampliar portfólio e até abrir portas em outros territórios. Esse ecossistema concentrado de gente interessada em negócios é raro – e desperdiçá-lo pode custar é caro.
Mas para transformar presença em resultado, ter um planejamento – e seguir o plano! – é tão importante quanto carisma. Uma equipe bem brifada, com roteiro de abordagem, materiais que realmente ajudam o visitante a entender seu negócio e decidir, além de um processo de registro simples, faz toda a diferença. Ok, eu sei que não há glamour em preencher um CRM rapidamente após a conversa. Mas é justamente isso que preserva contexto, prioriza follow-up e dá ritmo ao pós-evento. Sem isso, as melhores conversas viram lembranças simpáticas que não se convertem em nada concreto.
Do lado da comunicação e da reputação, estar em uma feira é também um momento de ganhar visibilidade qualificada. Jornalistas e criadores de conteúdo estão atentos a histórias relevantes, números sólidos, novidades reais. Quando a sua marca tem mensagens claras, dados confiáveis e porta-vozes preparados, surgem oportunidades de earned media (ou mídia conquistada) que permanecem muito além dos dias de feira. Mais do que aparecer, é sobre ancorar sua presença em fatos e compromissos que constroem confiança. Ou seja, para além da propagando, em que você mesmo fala de si, trata-se do outro falando de você. É puro endosso qualificado.
Quer dicas objetivas, não é? Então vou deixar aqui um roteiro prático e direto, do tipo que cabe no bolso e guia a ação sem enrolação:
- Objetivos em uma linha: o que você quer gerar (leads, parcerias, provas de conceito, mídia)? Defina metas numéricas.
- Público-alvo específico: quais perfis você quer atrair e como vai reconhecê-los rapidamente no corredor.
- Agenda ativa: marque antes. Liste expositores e visitantes-alvo e, sempre que possível, já envie mensagens de convite com proposta clara de conversa.
- Mensagem-chave e variações: elabore um núcleo de proposta de valor com 2 ou 3 versões para perfis diferentes.
- Materiais úteis: QR codes para landing pages, one-pagers objetivos, cases curtos com resultados, demonstrações enxutas.
- Roteiro de abordagem: pense e anote três perguntas para qualificar em menos de dois minutos e decidir se aprofunda ou direciona para outra etapa.
- Registro sem fricção: formulário rápido (nome, empresa, necessidade, próximo passo) integrado ao CRM; classificação A/B/C.
- Conteúdo ao vivo: pequenos registros de bastidores e aprendizados, com contexto e utilidade para a audiência – nada de fazer autopromoção vazia.
- Benchmarking estruturado: checklist do que observar em concorrentes e parceiros (preços, argumentos, diferenciais, pontos fracos).
- Mídia e influência: uma pauta, dados de apoio (números sempre impressionam em uma conversa rápida) e um porta-voz pronto (se for você mesmo, faça a lição de casa e estude respostas para possíveis perguntas do jornalista / influenciador); monitore oportunidades de entrevistas e mesas redondas.
- Follow-up com cadência: contato em até 48 horas com referência à conversa, proposta de próximo passo e sequência definida (ex.: 2-7-14 dias).
- Métricas e debrief: filtre os contatos feitos para ter leads qualificados; taxa de reuniões agendadas (compare os contatos feitos na feira e as reuniões efetivamente realizadas); custo por lead (quanto você gastou para alcançar esses contatos feitos na feira?); oportunidades abertas, tempo de ciclo, receita potencial, aprendizados acionáveis. Meça tudo o que puder, anote, organize suas anotações e compare com outras participações em eventos para ir medindo seu aproveitamento e evolução.
Se a participação também envolve palestras, demonstrações ou painéis, melhor ainda. Aproveite cada oportunidade porque cada aparição é uma chance de reforçar narrativa, ancorar autoridade e convidar para um diálogo que continua depois. E se a sua empresa é local ou regional, use o território como vantagem: proximidade logística, conhecimento do contexto, rede confiável. Em eventos como a Expo Industrial e de Serviços de Atibaia, a força do ecossistema se vê no olho. Cooperação e competição saudável andam juntas quando a régua é a criação de valor.

Profissional de Relações Públicas pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação organizacional pela ECA-USP, é também jornalista, empresária, palestrante e consultora de empresas com mais de 20 anos de experiência em comunicação interna e relacionamento com a imprensa. Professora universitária por 16 anos nos cursos de Comunicação, Marketing, Administração e Recursos Humanos nas instituições UniFaat, Fecap, Uniso e PUCCampinas.

