Foto: Buda Mendes/Getty Images
Em sua segunda edição no país, a NFL confirma que eventos internacionais podem gerar impacto econômico e engajamento quando traduzem sua narrativa global para a cultura brasileira
A chegada da NFL ao Brasil em 2024 marcou um novo capítulo no calendário esportivo nacional. O jogo entre Philadelphia Eagles e Green Bay Packers, realizado na Neo Química Arena, reuniu mais de 47 mil torcedores e movimentou cerca de R$ 300 milhões apenas em bilheteria. Mas, além dos números, o evento deixou claro que grandes ligas internacionais precisam ir além do espetáculo esportivo: é preciso adaptar a experiência e a comunicação para conquistar o público local.
Agora, em sua segunda edição, a NFL reforçou essa estratégia com a realização, no dia 5 de setembro, de um jogo especial da primeira semana da temporada regular entre Los Angeles Chargers e Kansas City Chiefs, também em São Paulo. Mais do que a partida, a programação se espalhou pela cidade e pelo Rio de Janeiro, com mais de 15 eventos paralelos. Entre eles, o Tailgate Brazil Experience, a corrida temática NFL Run, festas oficiais como a Chiefs House e o Chargers Takeover, além de fan zones, experiências gastronômicas e ativações culturais.
“A NFL entendeu um princípio fundamental: para conquistar o brasileiro, não basta trazer o produto; é necessário construir uma experiência que ‘fale a língua’ do público local”, analisa Vanessa Chiarelli Schabbel. “Eles praticaram o storydoing, ou seja, criaram ações que geraram narrativas naturalmente, em vez de apenas contar histórias. Isso é comunicação na sua forma mais eficaz.”

Crédito: NFL Brasil – Jaire Alexander, dos Packers, entra em campo com a bandeira do Brasil — Foto: Wagner Meier/Getty Images
Estratégias que aproximam
A especialista destaca que o sucesso da liga no Brasil está diretamente ligado ao uso de comunicação integrada, narrativas locais e à criação de um ecossistema de experiências que conecta fãs dentro e fora dos estádios. Em 2024, ações como o NFL Experience, no Parque Villa-Lobos, reuniram mais de 25 mil pessoas em atividades gratuitas, enquanto a NFL Run atraiu 7 mil inscritos em sua primeira edição.
Neste ano, as iniciativas foram expandidas: mais fan zones, maior presença em espaços públicos e ativações que envolveram música, gastronomia e lifestyle, transformando a cidade em parte da atmosfera do evento. Até mesmo o tradicional tailgate americano ganhou uma versão adaptada ao Brasil, com comidas típicas e clima festivo.
“Mais do que divulgar, é preciso preparar o território para receber o espetáculo. Quando a cidade respira a atmosfera do evento dias antes de ele acontecer, o público cria expectativa, curiosidade e até um senso de pertencimento”, reforça Vanessa.
Impactos e legado
Segundo dados da PontoMap, a segunda edição da NFL no Brasil gerou impacto econômico estimado em US$ 60 milhões (cerca de R$ 337 milhões), criou mais de 5 mil empregos e teve forte presença digital. O termo “NFL Brasil” cresceu 45% no Google Trends, interações no Instagram aumentaram 120% e conteúdos ultrapassaram 80 milhões de visualizações no TikTok. Para 93% dos entrevistados, a experiência atendeu ou superou as expectativas, colocando a liga atrás apenas do Lollapalooza entre os grandes festivais mais bem avaliados no país.
Para Vanessa, eventos internacionais só se consolidam quando conseguem traduzir sua narrativa global para a realidade do público local. “A comunicação é a chave desse processo, pois conecta as estratégias da marca com a experiência emocional do fã brasileiro”, resume.
Ao adaptar cultura e linguagem, a NFL mostra que o esporte pode ser muito mais do que competição: pode se tornar um espetáculo de engajamento, experiências marcantes e conexões duradouras com os fãs.

