Empreendedorismo e gestão corporativa exigem inteligência emocional para evitar que o acúmulo de papeis e a centralização excessiva comprometam a saúde das executivas e a saúde financeira dos negócios

Os transtornos mentais e comportamentais assumiram posição de protagonismo no cenário de afastamentos corporativos no Brasil. Em 2025, a Previdência Social concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária motivados por questões de saúde mental — volume 15,66% superior ao registrado no ano anterior. Do total de auxílios, 63,46% foram destinados a mulheres, evidenciando o impacto do acúmulo de jornadas e da pressão estrutural sobre o público feminino.

A disparidade reflete-se também na representatividade do topo das organizações. Dados do estudo Panorama Mulheres 2025 (Talenses Group/Insper) revelam que apenas 17,4% das companhias com presidência formalizada possuem comando feminino, com maior concentração de mulheres em posições de suporte em detrimento de áreas estratégicas como Finanças e Operações.

Inteligência emocional como competência de gestão

Para Tatyane Luncah, fundadora e CEO da Escola Brasileira de Empreendedorismo Feminino (EBEM), a alta incidência de sobrecarga psicológica exige tratar a inteligência emocional não apenas como pauta de bem-estar, mas como uma habilidade essencial de gestão e governança.

“A empresária não precisa deixar de sentir pressão ou insegurança, mas sim reconhecer essas emoções para que elas não conduzam suas decisões. Quando a sobrecarga determina a forma como a líder delega e conduz a equipe, ela deixa de ser uma questão estritamente pessoal e passa a colocar em risco a sustentabilidade do negócio”, aponta Tatyane.

Cinco sinais de alerta para a sobrecarga na gestão:

  1. Incapacidade de delegar e excesso de controle: A centralização obsessiva de processos nasce da insegurança e transforma a própria executiva no gargalo operacional de crescimento da empresa.
  2. Conexão ininterrupta com a operação: A impossibilidade de desconectar-se indica falhas na estruturação de processos e equipes mal preparadas para assumir responsabilidades.
  3. Tomada de decisão reativa e emocional: Decisões estratégicas moldadas por picos de estresse, medo ou frustração reduzem a capacidade analítica da liderança.
  4. Sentimento de culpa diante do autocuidado: Tratar o descanso pessoal como negligência profissional esgota o principal ativo estratégico da organização: a capacidade intelectual e decisória do líder.
  5. Crescimento do negócio atrelado ao aumento da exaustão: Se a expansão do faturamento ou da operação sobrecarrega a gestora em vez de liberar tempo para o planejamento estratégico, há gargalos estruturais na arquitetura da empresa.

Tatyane Luncah ressalta que o desenvolvimento de recursos emocionais alinha-se diretamente aos resultados e à longevidade dos empreendimentos. “Não existe liderança sustentável quando a empresária opera permanentemente no limite. Desenvolver pessoas, impor limites e delegar são pré-requisitos para que o negócio continue evoluindo sem esgotar quem o conduz”, conclui a CEO da EBEM.

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *