Faltam poucas semanas para 26 de maio.
E eu ainda vejo muitos empresários tratando a atualização da NR-01 como mais uma exigência burocrática que pode ser resolvida “quando der tempo”.
Não é mais esse o cenário.
A inclusão formal dos riscos psicossociais no gerenciamento de riscos muda, na prática, o papel da liderança nas empresas brasileiras. Saúde mental, organização do trabalho, sobrecarga, metas mal estruturadas, conflitos recorrentes, comunicação agressiva e ausência de clareza de papéis deixam de ser apenas temas comportamentais. Passam a ser temas de responsabilidade organizacional.
E responsabilidade organizacional não é opinião. É gestão.
Ao longo da minha atuação com empresas, percebo que ainda existe a crença de que clima organizacional é algo subjetivo. Que desgaste emocional faz parte do “mundo corporativo”. Que pressão constante é sinônimo de produtividade.
Mas pressão desestruturada não gera resultado sustentável.
Gera passivo.
Eu costumo dizer que a forma como o trabalho é organizado impacta diretamente a saúde das pessoas. E a forma como as pessoas se sentem impacta diretamente os resultados do negócio.
Ignorar isso não elimina o risco.
Apenas o torna invisível — até que ele apareça em forma de afastamentos, conflitos recorrentes, alta rotatividade ou desgaste reputacional.
A pergunta que eu deixo para todo empresário, neste momento, é simples:
Se hoje fosse solicitado comprovar o gerenciamento dos riscos psicossociais da sua empresa, você teria evidências estruturadas? Ou apenas boas intenções?
Boa intenção não substitui método.
E discurso motivacional não substitui gestão.
A NR-01 não exige que empresas se tornem clínicas terapêuticas.
Ela exige maturidade organizacional.
Identificar riscos. Avaliar impactos. Criar planos de ação. Monitorar.
Isso exige liderança preparada.
Exige clareza.
Exige coragem para revisar práticas que, muitas vezes, foram naturalizadas por anos.
Estamos na reta final.
E eu percebo claramente dois tipos de empresários:
Os que aguardam fiscalização.
E os que se antecipam porque entendem que prevenção é estratégia — não custo.
O primeiro grupo reage.
O segundo grupo lidera.
A diferença entre eles não está na legislação.
Está na mentalidade.
Para mim, 26 de maio não é apenas um prazo normativo.
É um marco que separa empresas improvisadas de empresas estruturadas.
A liderança contemporânea não é aquela que administra crises quando elas explodem.
É aquela que evita que elas aconteçam.
A questão não é se a NR-01 vai impactar sua empresa.
Ela já impacta.
A questão é: você vai tratar isso como obrigação mínima ou como oportunidade de elevar o nível da sua gestão?
Tenho acompanhado organizações que decidiram agir antes da obrigatoriedade. E o que observo é consistente: quando riscos psicossociais são tratados com seriedade técnica, o efeito não é apenas preventivo — é estratégico.
Clareza gera segurança.
Segurança gera engajamento.
Engajamento gera resultado.
Eu não vejo essa atualização como ameaça. Vejo como oportunidade de amadurecimento empresarial.
Responsabilidade, hoje, é diferencial competitivo.
Se este artigo provocou reflexão, convido você, empresário e líder, a ampliar essa conversa dentro da sua organização e também com outros gestores da sua rede. A construção de ambientes de trabalho mais estruturados, seguros e produtivos depende de uma liderança consciente e colaborativa.
Compartilhe esta reflexão e fortaleça esse movimento por uma gestão mais madura e responsável.

Akemi Shida é psicóloga do trabalho, especialista em Desenvolvimento Humano e Organizacional e saúde mental corporativa, sendo também cofundadora do Projeto Mulher Pro. Possui sólida trajetória em Recursos Humanos, com atuação em grandes organizações como Rede Globo, Itaú Unibanco, Grupo Pão de Açúcar e FTD Educação, onde desenvolveu pessoas, líderes e carreiras de sucesso por meio de projetos de treinamento e desenvolvimento, liderança, clima organizacional e desempenho.
Construiu parte de sua carreira em Angola, atuando em projetos de desenvolvimento organizacional e formação de lideranças em contextos multiculturais. É fundadora da AS Consultoria em Saúde Mental Corporativa, onde apoia empresas na implementação das diretrizes da NR-01, no diagnóstico de riscos psicossociais e na construção de ambientes de trabalho saudáveis, produtivos e sustentáveis. Possui 5 livros publicados, acredita que desenvolver pessoas é a base para resultados consistentes e negócios perenes.

